23 de janeiro de 2017

[Resenha] O Mensageiro


O MENSAGEIRO - A PEDRA
Autor: Anderson M. Braga
Editora: Chiado
Ano: 2016
Páginas: 230
Livro cedido pelo autor para resenha


Sinopse: Neste livro a emoção é trabalhada em algumas de suas expressões mais singelas, porém, todas legítimas e intensas. Usando com inteligência as metáforas, em prosa ocasionalmente poética e poesia de vez em quando prosaica, o autor discorre seu texto de forma às vezes engraçada; outras com ironia e um humor refinado; algumas conduzindo o leitor a profundas reflexões, mas sempre mostrando uma realidade que nunca leva à indiferença.Questionado sobre como vê o referido livro, o autor responde: "considero este livro como fragmentos de um grande asteroide burilados nas camadas da atmosfera do meu mundo e que desabaram sobre mim como uma chuva incandescente e torrencial, despertando-me outros sentidos, levando-me a novas experiências, em outros níveis de consciência e de realidade".Em passagens marcantes de sua vida, faz uma viagem ao seu passado relembrando momentos como o de um Natal que mudou sua história, a lição moral vinda no local e de alguém inimagináveis, o medo que sentiu ao entrar na igreja escura, além de mostrar o quanto sua imaginação é fértil e como é importante seguir sorrindo.O objetivo do livro, apesar de estar impregnado de emoções legítimas e intensas, próprias das lágrimas e das risadas libertadoras exaladas durante a escrita, não é falar da vida do autor, mas, sim, de atuar como sendo um chamado à RESPONSABILIDADE que se dá pela ótica das diversas fases pelas quais passou: sua infância, adolescência, a que atravessa ao escrevê-lo e a que se projeta no tempo relativo. É um confronto de parte do que se propaga nas famílias, na sociedade e nas religiões, por herança de tempos remotos, com algumas consequências nas personalidades que são formadas a todo instante.O livro se deu através de um mergulho em águas profundas, quando fez uma autoanálise capaz de levar o leitor a olhar para dentro de si próprio pela mensagem de valorização que trás daqueles que, com garra e determinação diante das circunstâncias e desafios que enfrentam no dia a dia, mantêm-se firmes para vencerem as dificuldades em busca de algo melhor sem nunca desistirem da vida.Aproveite este convite de olhar para o outro e autodescobrir-se.



O livro de Anderson M. Braga traz uma bela experiência de vida dentro das relações cotidiana e familiar. Encontramos no texto um pouco de nós, de um conhecido ou de um estranho do qual ouvimos falar, tornando-o bem próximo, através de uma narrativa coesa e sincera.

Logo na infância Anderson já tem de lidar com a instabilidade de um pai alcoólatra, que vive desperdiçando boas oportunidades de prover uma vida digna à família. 



Ainda sem a devida consciência sobre a extensão de tal problema,  o garoto segue sempre cheio de esperanças de que o pai conseguirá transpor o desafio do vício, permitindo estabilidade e harmonia na convivência da casa.

As dificuldades se apresentam desde muito cedo: as restrições são inevitáveis em um lar onde a bebida consome os recursos e as energias.



Anderson discorre sobre sua rotina, quando criança; e os fatos que lhe marcaram e guardou na memória.  Às vezes, coisas aparentemente tão corriqueiras não demonstraram ser importantes, no entanto são de grande valor para a formação de seu caráter. 

Uma bronca da avó; uma orientação da mãe; as consequências de um ato; o exemplo observado. Tudo colabora para o resultado futuro, seja para o bem ou para o mal.

É possível perceber, pois é muito claro, que o autor descreve aquilo que não é admirável em seu comportamento. Suas inquietações, impaciência e outros comportamentos também comum a nós.

Seu desenvolvimento continua, e novos desafios cruzam seu caminho. A separação dos pais acontece e outros personagens passam a povoar seu mundo. As possibilidades fervilham sua mente imaginativa e o horizonte se amplia com uma nova casa mais regrada.

Seu pai permanece em situação difícil,  agonizante, no fugaz mundo do álcool. Anderson ainda se preocupa com ele, e tem um forte desejo que se recupere da dependência. Mas ele está crescendo e precisa dar um destino à sua vida.

Nesse outro período, Anderson passa a se dedicar a construir um caminho profissional, preparando-se para o futuro. Eis que as dificuldades permanecem, de uma outra forma, mais ainda lá.


Devo dizer que o livro transmite uma mensagem de persistência e fé. As dificuldades sempre vão existir e as frustrações fazem parte da construção do nosso caráter, cabendo-nos a tarefa de nortear positivamente tais sentimentos.

A narrativa tem uma ótima fluência,  é leve e rápida. O texto é bem escrito, com vocabulário satisfatório. 


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21 de janeiro de 2017

[Resenha] Batom no Dente


BATOM NO DENTE
Autora: Maria Helena Mossé
Editora: 7 letras
Ano: 2016
Páginas: 108
*Cortesia da Oasys Cultural


SinopseA mulher e suas dúvidas, amores e dissabores. Batom no dente, livro de estreia da escritora e psicanalista Maria Helena Mossé, como o título sugere, traz uma galeria de personagens femininos em situações de insatisfação, inadequação ou expectativa. Afinal, o que querem as mulheres?, indagaria o fundador da psicanálise Sigmund Freud. A autora não tenta responder, mas apresenta, através de sua prosa madura e elegante, rica em recursos narrativos, protagonistas de variadas idades e classes sociais – inclusive dois homens preocupados com o que as mulheres e os amigos pensam deles – que se inquietam, questionam e se movem em busca de realizar seus desejos. Como a moça do interior que ascende a dondoca na Barra da Tijuca e vai procurar a amiga que a desafia, a ex-esposa que finalmente se livra do jugo subliminar do ex-marido, a mulher casada e entediada que sai para passear com o cachorro numa noite chuvosa e vislumbra um grande amor.




Batom no Dente reúne contos que falam principalmente do universo feminino, de seu cotidiano e que poderiam se passar com qualquer uma de nós ou mesmo com uma conhecida.

Em uma escrita elegante e cheia de recursos, a autora nos apresenta diversos personagens com seus problemas, dilemas e a busca por soluções. São personagens muito reais e com a garra feminina.



Os textos são curtos, completos e muito dinâmicos, li em poucas horas e terminei com a sensação de querer mais.

O que achei interessante é que alguns se interligam entre si, focando no ponto de vista de outro personagem da história. Achei o máximo isso!



Foi uma leitura bastante prazerosa, a escrita da Maria Helena é cativante, na medida certa e muito original. 

Não tem como escolher um conto favorito, todos me cativaram. A identificação com as histórias é muito grande.

A capa está linda!! Achei muito a cara do livro.

Agradeço pela oportunidade de conhecer a autora, que arrasou na estreia. Que venham mais livros!




"Na fala me perco, mergulho em brumas, cada sílaba torna-se pegajosa, o pensamento ficar frouxo e furado. Minha verdade é o que eu escrevo."

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