17 de novembro de 2017

Um pouquinho de Paulo Leminski


Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.


Paulo Leminski (1944-1989) foi um poeta, escritor, tradutor e professor brasileiro. Fez uma poesia sem compromisso, consagrou-se com “Catatau”, obra “maldita” marcada por exacerbado experimentalismo linguístico e narrativo.


15 de novembro de 2017

[Filme] A culpa é das estrelas


Gênero: Drama
Ano: 2014
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort , Willem Dafoe , Nat Wolff , Laura Dern , Sam Trammell , Mike Birbiglia

Dirigido por Josh Boone, o filme, baseado no livro de mesmo título, nos conta a história de uma adolescente com câncer em estágio avançado.

Antes de continuar, deixo claro que adorei a história e que me emocionei muito durante a leitura do livro e que foi impossível não fazer comparações entre a obra a sua adaptação ao cinema.


Com apenas 16 anos, a protagonista Hazel Grace (encenada por Shailene Woodley), tem câncer na tireoide desde os 13 anos, com metástase no pulmão, o que a obriga a usar cânulas que são colocadas na entrada do nariz para que o oxigênio (que vem de um cilindro puxado por ela em uma espécie de carrinho), chegue devidamente aos pulmões.

Sua mãe acredita que Hazel está em depressão e, certo dia, insiste para que ela compareça a uma reunião de jovens com câncer. Justamente neste dia, conhece Gus, Augustus Waters (encenado por Ansel Elgort).

Eles se aproximam e se tornam amigos rapidamente. Hazel empresta a Gus seu livro preferido, "Uma aflição imperial" e, após a leitura, eles discutem sobre o autor do mesmo ter optado por terminar o livro de repente, sem se preocupar em escrever um final para todos os personagens que julgavam importantes.

Hazel explica a Gus que escreveu ao escritor para questionar tal fato, mas que ele nunca lhe respondeu.


Completamente apaixonado por Hazel e para impressionar sua amada, Gus não apenas consegue tal contato, mas marca uma reunião com o autor do livro favorito dela.

Detalhe: o autor de "Uma aflição imperial" reside EM OUTRO PAÍS! Um corpo médico (onde Hazel é atendida) desaconselha a viagem, mas ela ocorre mesmo assim! Esse foi o primeiro motivo que me deixou um pouco "insegura" com relação ao filme. Vale ressaltar que no livro também ocorre, mas acho que a cena da proibição foi mais forte no filme.

Outro ponto que me deixou um pouco confusa foi que, em certo momento, Hazel, Gus e um amigo, para se vingar de uma ex-namorada que o abandonou, jogam ovos no carro da mãe da moça, que sai à porta e, após uma explicação (quase uma ameaça), VOLTA PARA CASA sem mais discussões e os três adolescentes continuam a empreitada dos lançamentos de ovos.

Fora a cena surreal da subida das escadas do museu de Anne Frank que, para mim foi desnecessária para uma pessoa que está com câncer de pulmão em estado terminal! (Quem leu ou assistiu entenderá).


O filme é extremamente fiel à história do livro mas, para mim, na adaptação faltou emoção.

Comentando sobre o filme com um amigo que não realizou a leitura prévia da história, ele definiu de forma crucial: "O filme é triste sem ser emocionante." E eu sou obrigada a concordar com ele: muitos diálogos são cansativos; a completa indiferença com que Hazel parece lidar com a sua doença não nos comove; entre outros fatores, para mim, fizeram com que o filme não fosse tão interessante quanto o livro.

Fora isso, o romance "bonitinho" é um ponto interessante, a forma como se desenvolve e a falta de experiência de ambos são bem reais para a idade dos personagens e isso torna o filme mais legal.

Para mim, dois personagens merecem destaque: a Sra. Lancaster, mãe de Hazel, interpretada por Laura Dern,  que consegue transmitir realidade ao se preocupar em excesso com a filha (com exceção da autorização para a citada viagem) e Isaac, o melhor amigo de Gus, interpretado por Nat Wolff. Ele vive um grande drama que, em minha opinião, foi repassado ao expectador com bastante verdade.



Para quem gostou do livro, super recomendo assistir ao filme. Mas, ao contrário da maioria das críticas que li desde o seu lançamento, a adaptação realmente não conseguiu me emocionar quase nada em comparação ao livro.


E você, teve já assistiu ao filme? Concorda comigo? Conte-me abaixo, nos comentários!




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